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O Paradoxo da Guerra Conjugal: Quando vocês querem a mesma coisa, mas só conseguem se atacar!

Vocês brigam não porque são inimigos, mas porque perderam a capacidade de traduzir a própria dor. Entenda por que o ataque é, muitas vezes, um pedido de amor mal formulado.


Imagine dois arquitetos tentando construir a mesma casa. Um grita "precisamos de mais luz!" e quebra a parede. O outro grita "precisamos de segurança!" e tranca as portas. No fim, a casa cai, e ambos ficam frustrados, sem entender por que o outro "sabotou" o projeto.

Essa metáfora descreve perfeitamente a dinâmica de muitos casais que recebo no consultório.

Existe um fenômeno trágico na comunicação a dois: muitas vezes, o casal quer exatamente o mesmo destino, mas discorda violentamente sobre o caminho. E, na falta de uma "escuta real", o diálogo vira um campo de batalha.


1. O Ataque como "Pedido de Socorro"

Na visão Sistêmica, entendemos que todo comportamento é comunicação.

Quando seu parceiro diz: "Você nunca me ajuda, é um egoísta!", o que o ouvido recebe é um insulto. Mas o que o coração (muitas vezes) está tentando dizer é: "Eu estou exausta, me sinto sozinha e preciso desesperadamente sentir que você cuida de mim."

O problema é que aprendemos a comunicar a nossa necessidade em formato de crítica. E a crítica gera defesa.

• Você ataca (pedindo conexão).

• Ele se defende (se afastando para se proteger).

• Você se sente mais sozinha e ataca mais forte.

É um ciclo sem fim onde ambos perdem.


2. Ouvir para Responder x Ouvir para Compreender

A grande barreira do diálogo hoje é que não escutamos o outro; escutamos a nós mesmos enquanto o outro fala.

Enquanto seu parceiro fala, você já está montando o seu "advogado de defesa" mental. "Ah, mas não foi bem assim...", "Mas você também fez aquilo...".

A escuta real exige baixar a guarda. É a coragem de perguntar: "O que você está sentindo por trás dessa raiva?".


3. O Medo da Vulnerabilidade

Por que é tão difícil dizer "Estou triste" em vez de "Você é um idiota"?

Porque a tristeza nos deixa vulneráveis. O ataque nos dá uma falsa sensação de poder. Na Gestalt-Terapia, trabalhamos para que o paciente consiga entrar em contato com a sua fragilidade e tenha coragem de mostrá-la.

Dizer "Eu preciso de você" é muito mais arriscado do que dizer "Você não faz nada direito". Mas é o único caminho que gera conexão real.


Como quebrar o ciclo?

Se vocês estão cansados de brigar pelas mesmas coisas, tentem mudar a linguagem:

1. Elimine o "Você nunca/Você sempre": Isso é uma sentença, não um diálogo.

2. Fale de si (Eu sinto): Troque a acusação pela exposição. "Eu me sinto sobrecarregada" é irrefutável. "Você é preguiçoso" é discutível.

3. Usem intérpretes: Quando as palavras faltam ou saem tortas, ferramentas externas ajudam. Jogos terapêuticos, cartas ou dinâmicas guiadas (como a Oficina de Elos) funcionam como uma "zona desmilitarizada", onde é seguro falar sem armas na mão.


Lembre-se: no casamento, ou ganham os dois, ou perdem os dois. Não existe vitória individual contra quem dorme ao seu lado.

 
 
 

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