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Você está amando ou "jogando"? Entenda os jogos ocultos que sabotam seu relacionamento (Segundo Eric Berne)

Você sente que suas brigas seguem sempre o mesmo roteiro? Talvez você esteja preso em um "Jogo Psicológico". Descubra como sair do papel de Criança ou Pai e assumir o Adulto na relação.


Em 1964, o psiquiatra Eric Berne lançou um livro que mudaria a psicologia popular para sempre: Jogos que as Pessoas Jogam. Nele, ele descreveu uma verdade dura: a maioria das nossas interações sociais não é espontânea, mas sim uma série de "jogos" inconscientes com regras ocultas e finais previsíveis.


No consultório, vejo isso diariamente. Casais que juram querer paz, mas que repetem incansavelmente as mesmas dinâmicas destrutivas.

Por que fazemos isso? Segundo Berne, porque temos uma fome insaciável por "estímulos". O ser humano prefere qualquer tipo de contato — mesmo que seja uma briga dolorosa — ao isolamento total. Então, se não conseguimos intimidade real, criamos "jogos" para garantir que o outro continue interagindo conosco.


Quem está no comando: O Pai, a Criança ou o Adulto?

Para entender os jogos, precisamos entender quem está falando dentro de você. Berne identificou três "Estados de Ego":


1. O Pai: É a voz das regras, da crítica e da autoridade (aprendida na infância). No casamento, é quando você aponta o dedo, julga ou tenta "educar" o parceiro.

2. A Criança: É a parte emocional, impulsiva, criativa ou rebelde. No casamento, é quando você faz birra, se vitimiza ou age com irresponsabilidade esperando que o outro resolva.

3. O Adulto: É a parte racional, objetiva e focada no "aqui e agora". É o estado ideal para resolver conflitos.


Os jogos acontecem quando cruzamos esses papéis. Por exemplo: A esposa age como Pai Crítico ("Você nunca faz nada direito!") e o marido reage como Criança Rebelde ("Então eu não vou fazer nada mesmo!").


3 Jogos Comuns que Destroem Casais


Berne catalogou vários jogos. Talvez você reconheça algum destes na sua sala de estar:


• 1. "Se não fosse por você..."

Neste jogo, um parceiro (geralmente com medo de agir) casa-se com alguém dominador para depois culpá-lo por suas próprias limitações.

O discurso: "Eu poderia ter tido uma carreira brilhante / viajado o mundo / sido feliz... se não fosse por você me segurando."

A verdade: O jogo serve para evitar encarar o próprio medo de fracassar, usando o outro como desculpa.

• 2. "Por que você não...? Sim, mas..."

Um clássico. Uma pessoa reclama de um problema. O parceiro oferece uma solução ("Por que você não faz X?"). A pessoa rejeita imediatamente ("Sim, mas isso não vai dar certo porque...").

O objetivo: Não é resolver o problema. O objetivo é rejeitar a ajuda para provar que "ninguém me entende" ou que a situação é impossível, ganhando atenção (estímulo) no processo.

• 3. "Perna de Pau"

A pessoa usa uma limitação (real ou exagerada) passada para justificar o comportamento atual.

O discurso: "Você não pode esperar que eu seja carinhoso, afinal, eu venho de uma família fria" ou "Eu sou assim porque sou ansioso/deprimido".

O objetivo: Usar a "perna de pau" (a desculpa) para se isentar da responsabilidade de mudança na relação adulta.


Como Parar de Jogar e Começar a Viver

Os jogos nos protegem da intimidade real, porque a intimidade exige vulnerabilidade e não tem roteiro pronto.


Para sair do jogo, você precisa "cruzar a transação". Ou seja, quando o outro vier com o roteiro pronto (Criança ou Pai), você responde como Adulto.

Se o parceiro faz birra (Criança), em vez de dar bronca (Pai), você pergunta calmamente: "Entendo que você esteja chateado. Qual solução você propõe para resolvermos isso agora?" (Adulto).


Isso quebra o padrão. O jogo perde a graça.

Romper esses ciclos exige consciência. Exige parar e perguntar: "O que eu estou ganhando com essa briga repetitiva?". A resposta pode doer, mas é ela que liberta você para um amor sem joguinhos.


 
 
 

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