A Dança do Casal: O que o livro 'Bailando Juntos' ensina sobre o amor que dá certo (e o que fracassa)
- Ana Paula Oliveira
- 1 de mar.
- 3 min de leitura
Nos relacionamentos, vocês estão fluindo no mesmo ritmo ou pisando no pé um do outro? Entenda a visão sistêmica de Joan Garriga sobre como construir um amor adulto, equilibrado e real.
Pense no seu relacionamento como um salão de dança. Quando a música toca, como vocês se movem? Vocês fluem com leveza, sabendo a hora de ceder e a hora de conduzir? Ou vocês passam a noite inteira pisando no pé um do outro, disputando quem dita o ritmo, até terminarem a música exaustos e machucados?
Em seu brilhante livro Bailando Juntos, o terapeuta sistêmico e gestaltista Joan Garriga usa essa metáfora para nos explicar algo duro, mas libertador: o amor, por si só, não basta para manter um casal junto. O que sustenta uma relação é a qualidade da dança. É a postura interna de cada um.
No meu consultório, atendo casais que se amam profundamente, mas que não sabem dançar juntos. Eles tropeçam em dinâmicas inconscientes que destroem a relação.
Segundo Garriga, para que a dança do casal funcione, precisamos dominar três passos fundamentais da Terapia Sistêmica:
1. O Equilíbrio entre Dar e Receber
Em uma relação saudável entre dois adultos, existe uma troca constante. Eu te dou carinho, você me devolve com cuidado. Eu cedo hoje, você cede amanhã.
O que acontece quando um dá demais e o outro apenas recebe? A dança desanda.
Aquele que dá demais (muitas vezes se colocando num papel de "mãe" ou "pai" do parceiro) se sente exausto e moralmente superior. Aquele que só recebe se sente sufocado, em dívida, e acaba indo embora (ou traindo) para fugir desse peso. O amor adulto exige reciprocidade. Ninguém pode ser o salvador do outro.
2. Amar o "Que É" (E rasgar o roteiro de Hollywood)
O amor cego e infantil ama a ilusão. Ele olha para o parceiro e pensa: "Eu vou consertar você", ou "Você seria perfeito se mudasse isso".
O amor adulto — o bom amor — diz: "Sim a você, exatamente como você é."
Na Gestalt, chamamos isso de aceitação do aqui-e-agora. Enquanto você estiver brigando com a realidade do seu parceiro, tentando transformá-lo na pessoa que você gostaria que ele fosse, vocês estarão brigando na pista de dança. Amar é renunciar ao parceiro idealizado para poder abraçar o parceiro real.
3. Soltar a mão dos pais para segurar a do parceiro
Este é um dos pontos mais profundos da visão sistêmica. Você não pode abraçar seu parceiro por inteiro se ainda estiver emocionalmente "casado" com seus pais.
Muitos casais fracassam porque exigem que o cônjuge preencha os buracos afetivos deixados pelo pai ou pela mãe na infância. Mas o seu parceiro não veio ao mundo para curar a sua criança interior. Ele veio para caminhar ao lado do seu "eu" adulto.
Afinando o Ritmo
Se o seu relacionamento hoje parece uma dança desajeitada e dolorosa, saiba que o ritmo pode ser reaprendido.
Ninguém nasce sabendo dançar a dois. Exige presença, escuta e a coragem de assumir o próprio tamanho na relação. Ferramentas que promovem o diálogo seguro, como a terapia de casal ou dinâmicas guiadas como as da Oficina de Elos, funcionam como um "metrônomo", ajudando o casal a encontrar novamente a batida do coração um do outro.
Se a música ainda está tocando, sempre há tempo de ajustar os passos. Como está a dança de vocês hoje?



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